Pular para o conteúdo principal

A necessidade de ser corajoso

A necessidade de ser corajoso

Quando eu me mudei para cá, as pessoas falavam: “Nossa, como esse menino é corajoso! Saiu de casa jovem e foi morar no exterior.”
Eu simplesmente estava cansado de fingir meus sentimentos.

É preciso MUITA coragem para assumir seus verdadeiros sentimentos e sonhos. 

Assumi-los significa pensar por si próprio e deixar de lado aquelas opiniões formadas por pessoas ao seu redor. Demorei um bom tempo para começar a pensar por mim mesmo. Fui chamado de egoísta, arrogante e louco; mas nada supera o valor da liberdade de pensar por si mesmo e ser independente.
Você pode estar na merda, mas você está ali, naquele lugar que você queria.

Quando assumi minha sexualidade, por exemplo, tive muito medo de ser odiado ou abandonado por familiares e amigos. Uma amiga minha me falou a frase: 

“Você revela um pequeno fato sobre você, mas quem se revela mesmo é aquele que o escuta.”

Ela está certíssima.

Processos, transformaçõe ou etapas na vida podem ser complexos e, muitas vezes, árduos e dolorosos.
Dói muito assumir sua infelicidade vivendo em um lugar, com uma pessoa, uma situação.

Eu pensei muito a respeito disso, mas sempre tive a ajuda da balança mental. Naquela época me perguntei: “O quê vale mais a pena? Sofrer por um determinado tempo ao sair do armário, ou sofrer a MINHA VIDA INTEIRA escondido e mentindo?”

O que quero dizer com isso é: pense e reflita sempre antes de tomar uma decisão que julgues dolorosa. O quê doerá mais? Um sofrimento temporário em prol de uma decisão árdua, porém verdadeira ou um sofrimento eterno por jamais ter tentado ou corrido atrás de um sonho?

Eu aprendi isso após perder meu mundo: meu idioma, meu país, meus amigos, meus familiares, meu sol, meu mar, minha cultura, minha bolha confortável.

Apertei o botão do “foda-se” e percebi que não tinha mais nada a perder.

...

Texto por Raphael Kassel

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dois anos no Porto e muita coisa mudou...

Se o tempo voa, o mundo capota.  Eu capotei muito nestes dois anos no Porto, mas também aprendi muito sobre mim e sobre o mundo ao meu redor. Escrevo este artigo na minha casa, enquanto observo a paisagem pela janela. Vejo a vizinha no prédio da frente fumando na varanda, as folhas balançando na mudança de estação, e de vez em quando aparece um passarinho ou um pombo por aqui. Deixei as portas do armário abertas para o ar circular, afinal eu sou uma pessoa aérea, abrir portas, janelas, mentes, faz parte de mim.  A quarentena foi uma loucura, um retrato do mundo e da humanidade. Estamos todos doentes, embora muitos estejam morrendo vítimas do COVID-19 ou das brutalidades contra a vida humana. Eu não consigo escrever um texto bonitinho falando apenas sobre as ruas e a magia que existe no Porto, até porque a Disneylândia portuense está fechada, e o Mickey Mouse aqui está sem trabalhar. Ouço Adriana Calcanhotto, que também está em casa, e relembro de tudo que passei na minha...

Um ano em Portugal: será que me arrependi?

 Há um ano atrás, aterrei no Porto pela segunda vez na vida - a primeira havia sido em dezembro de 2014, quando visitei uma amiga que já morava cá. Era inverno, era meu primeiro ano morando na Alemanha, um dos invernos mais rigorosos da Europa! Na época, a cidade do Porto - também conhecida como a Invicta - ainda não tava nessa "hype" toda. Haviam algumas coisas voltadas para o turismo, mas na baixa temporada não notei a presença tão grande de visitantes estrangeiros. Naquela viagem, tive a oportunidade de conhecer um pouco do centro histórico da cidade, mas fiquei encantado com a abundância de sol e com a semelhança ao centro colonial do Rio de Janeiro, minha cidade natal. Quem diria que quatro anos depois a vida me traria para esta cidade? Confesso que, às vezes, nem parece que saí do Brasil. Portugal me recebeu muito bem, apesar do dia estivesse gelado como o dia de hoje. Um dia frio de junho com temperaturas beirando os quinze graus Celsius... fiquei decepcio...

Estudar no Brasil X Estudar na Alemanha

Olá queridos leitores do blog,   Hoje queria abordar um tema que deveria ter falado desde o início do blog: os choques, os prós e os contras de estudar na Alemanha! Para quem não sabe, moro na pequena cidade de Altenkirchen, tenho 17 anos, nível B1 de alemão, estudo em um Gymnasium e estou aqui desde Agosto de 2014.   As primeiras impressões que tive da minha nova escola foram bem superficiais e neutras. Em outras palavras: procurei ser simpático, não fiz amizades rápidas e analisava o comportamento dos alunos e professores. Atos aconselháveis a qualquer um que deseje aventurar-se nessa loucura, como eu  fiz (risos).    Assim que cheguei na escola, fui direto à secretaria (Sekretariat) onde entregaram-me um mapa com as salas e explicaram como chegar ao outro prédio anexo. A primeira aula do ano foi de Matemática (todos se alegram, só que não). Lembro que apresentava muita dificuldade até para me apresentar na aula e ninguém acreditava que eu era bra...